sexta-feira, fevereiro 19

Anjo...

Naquela tarde meu sangue não parava de jorrar. Minhas lagrimas não secavam. Eu continuava a gritar. Eu queria mesmo morrer. Tiveram a certeza de que eu tinha alguns segundos. Aproveitei-os e demonstrei toda a loucura que tinha por ela. Confessei meus medos. Abri-me pra ela, entreguei meu coração por ela. Cantei com a garganta seca só pra ela. Fiquei surda com ela. Tive muitos momentos com ela.
Minha vontade era de matá-la. Mas eu deixaria de ser um anjo na vida dela. Masturbava-me pensando nela. Faltava ao trabalho por ela. Tive problemas psicológicos por ela. Venci lutas e guerras com ela. Abandonei meus pais e irmãos por ela. Não me arrependo de nada que fiz com e por ela. O que eu mais gostava era de olhar bem fundo em seus olhos claros. Escondi seu nome por amor, num codinome beija-flor.
Naquela manha ela queria me deixar. Jamais eu iria suportar. Quis me matar. Quando vi seu lindo corpo em minha frente, tentei me esconder. Ela me viu naquele estado e pirou. Eu sussurrei em seu ouvido e comecei a falar de amor. Tarde demais para voltar atrás. Era mesmo meu fim. Ela queria ir junto. Ela queria ser julgada juntamente a mim. Mas eu a fiz prometer continuar, viver, respirar. Talvez fosse minha hora mesmo. Talvez ela sobrevivesse sem mim. Talvez ela não merecesse tudo aquilo. Apaguei, e não me lembrei de mais nada. Confesso ao todo poderoso. Nasci assim, e morri assim. Eu a amei desde o momento em que a vi. E confessei que não era uma criança pura. Confessei ao Rei que tinha uns sentimentos e vontades diferentes de outras garotas. Por hoje chega. Deixei explicito muita coisa. Quero olhá-la aqui do céu. As coisas parecem ter mais cor. Aqui de cima ela é protegida. Minha eterna amada!



Regiane Alves

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