quarta-feira, abril 14

Everything

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Imagino-o inquieto, aflito por cada resposta, cada negação, refletindo o brilho azulado em suas vistas cansadas pelo tempo, acendendo um cigarro após o outro enquanto pensa, impaciente, em qual será sua próxima fala. Do outro lado, vejo alguém eufórico a cada palavra, fantasiando as vivencias que provavelmente não virão, planejando inúmeros escapes, todos em vão. De repente vem um silencio. Talvez não fossem capazes de demonstrar um afeto recíproco. Mas na falta do que dizer, admitiam que estavam em boa companhia. Ou pelo menos, eram ótimos atores. Forjavam um bem-estar que nunca tiveram com nenhum outro alguém, aprenderam com as frases que haviam decorado nas incontáveis madrugadas insones. Aguçava suficientemente a imaginação de tal forma que poderiam passar dias descrevendo seus planos de outono a dois. Me pergunto se em alguns anos lembrará dele – e de todos os outros. E me calo.



R.

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