terça-feira, maio 25

Casa de Criadores

Formas inspiradas nas roupas da Hungria e dourado no desfile de R.Rosner Foto: Marcelo Soubhia/Agência Fotosite/Divulgação

Hungria é a inspiração da linha da R.Rosner
Foto: Marcelo Soubhia/Agência Fotosite/Divulgação

Transparências, brilhos, experimentações volumétricas e até próteses de silicone marcaram o primeiro dia da 27ª edição da Casa de Criadores, que começou nesta segunda no Shopping Frei Caneca e termina na quarta feira.

Alguns estilistas ficaram bem dentro da linha de conforto com produções luxuosas, muito bem terminadas e femininas. Outros com experimentações de volumes e materiais que podem deixar incomodados os mais ortodoxos. Mas moda é para incomodar, não é?

No primeiro caso, Geraldo Couto e R.Rosner, com suas criações perfeitas e lindas, que não podem ficar mal nas fotos. Couto se inspirou nas mulheres etruscas e levou vestidos fluidos, em moulage, ou mais ajustados ao corpo. Longos e curtos apareciam com aplicações douradas ou tecidos brilhantes, em azul-forte ou variação de bordô.

Rodrigo Rosner voltou a beber da fonte familiar, com inspiração nas Hungria. No inverno, foi a partir de roupas de sua avó; para o verão 2011, no folclore do país do Leste Europeu. As formas das roupas camponesas, rígidas ou mais leves, amplas ou mais ajustadas, pontuaram o desfile, marcado pelo branco amarelo e outra vez o dourado. É bom lembrar que a tonalidade promete forte na estação, como os ricos bordados apresentados, já bastante vistos nas passarelas. O caminho de ambos, que também apostaram na transparência, é líquido e certo para o anseio feminino de estar bem-vestida em ocasiões chiques.

Não dá para dizer o mesmo do que foi apresentado por Jadson Raniere e pela grife Purpure, Mark Greiner e Weider Silveiro. Mas esse não é um comentário negativo. Pelo contrário. O evento se chama Casa de Criadores e essas marcas realmente colocaram a criatividade para funcionar.

Jadson, que veio do Projeto Lab, é bom. Sabe fazer alfaiataria muito bem e, nesse contexto, levou a androginia ao extremo, ao mostrar peças que podem ser usadas por homens e mulheres. Ok, o efeito de passarela leva a experimentações volumétricas por vezes exageradas. Colocando o pé no chão, dá para perceber que uma camisa masculina não precisa ser a camisa de sempre, mas pode ganhar modelagem que fazem toda a diferença no visual. E que listras e transparências transitam com desenvoltura para elas e eles, por vezes em peças parecidas.

A Purpure, que se inspirou nas mudanças do corpo, levou ao extremo o tema e usou até próteses de silicone e maiôs com marcas de caneta, como as feitas pelos cirurgiões plásticos antes das intervenções. Nesse universo, não faltaram também as transparências nas peças de praia (que praia seria essa?) da grife, que ainda está bem ligada a referências internacionais, como os ombros pesados, quadris marcados e as próprias estampas que lembram peles de animais.

Na moda masculina, a Der Metropol, do estilista Mario Francisco, suavizou a silhueta masculina, com peças leves inspiradas no Egito. A modelagem é confortável, em calças, bermudas, camisas e jaquetas. Nas estampas, gatos, animal sagrado no país, e penas azuladas. Um estilo relaxado e com frescor, mas feito com muito rigor na construção das peças.


Por: ROSÂNGELA ESPINOSSI

Fonte: Terra

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