Tentando enxergar o futuro. Ela admira a miopia.
E o pau que virou aço nunca mais se desfez. Ela se renovou.
Sem ter certeza do cão, vivendo na solidão. Ela o ignorou.
Salvando em sua memória restos de discórdia. Ela se manifesta.
Um egoísmo inútil por não ter vontade de nada. Ela se distrai.
O relógio pulsando sem parar e a tocar. Ela ainda vive.
A montanha vermelha esverdeada com restos de neblina. Ela não viu.
A porta laranja com a foto de Janis. Ela vai pra Lua.
Uma agenda de dois anos atrás. Ela não percebe e usa.
Sangue na pia, carnes na faca. Ela sorri e gargalha alto.
O arranhão seguido de um nó na garganta. Ela se cura e chora.
O celular que não para de tocar. Ela despreza.
As luzes foscas de um breu acinzentado. Ela chora.
Sob a chuva seca feito pó. Ela se entrega.
Os rodopios alheios contornados de tabefes. Ela acende um cigarro.
Ela não passa de um alguém que não sabe de não saber quem ela realmente é.
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