sexta-feira, fevereiro 19

Madrugada

















Eram-se exatamente 4:30 da manha. Quando acordei, virei-me para o lado e senti a falta de alguém. Ela era doce, era salgada, tinha um cheiro de jasmim. Dona de um hálito amargo e de hortelã. Ela era alguém que me sufocava quando eu precisava. Oh! Minha mulher se foi sem dizer adeus. Ela era muito atrevida e fogosa. O nosso calor era tão forte e contagiante, que quase me queimava. Ela era uma pessoa sentimental, não conseguia ficar sem mim. Ela era uma pessoa seca e fria. Ela sabia bem como pisar no coração de uma mulher. Ela me fazia flutuar e enxergar o mundo de um jeito... De um jeito que só existisse eu e ela. Ela me ensinou a jogar fora todo o preconceito. Ela me orientava exageradamente quando eu precisava. Ela suava e gemia na hora do prazer. Ela adorava escrever e desenhar pra mim. Ela era apaixonada por mim, e eu por ela. Mas tudo tem seu fim, tudo tem sua hora. E nas 4:30 da madrugada de 10/07/1982, ela se foi, pra nunca mais voltar. Ela morreu com uma parada cardíaca. E em mim eu carrego todas as lembranças de todos os beijos, carinhos, seduções, baladas, loucuras que já fizemos juntas. Minha eterna mulher.

Regiane Alves

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